INÍCIO DA JORNADA

Naturalizar é um dos processos que mais me atraem na caminhada do despertar, acredito que seja a melhor opção para conectar a humanidade com o que talvez seja fundamental para se viver bem. Podemos compreender a interação harmônica com nossos semelhantes e o meio que vivemos, como foco para iniciar uma reviravolta nos caminhos insustentáveis que seguimos após o advento do patriarcapitalismo, seguimos há tanto tempo como “dominantes”, nos colocando em uma posição de superioridade, cada vez mais afastando o senso de pertencimento e fortalecendo a ideia de posse, que muitas vezes não compreendemos a conexão entre essas ilusões e a geração de escassez, doenças e a iminente devastação de todo o planeta. Visto que já somos responsáveis pela extinção de um número terrível de espécies e ecossistemas, não cabe falar do fim da raça humana como se fosse um evento maior, retomar formas mais coerentes de conviver com o plano que estamos, trará equilíbrio à balança que está pendente para um lado bem pessimista. Produzimos e consumimos muito mais do que necessitamos, nos isentamos da responsabilidade sobre o que descartamos e infelizmente, desequilibramos mecanismos lógicos para manutenção, perpetuação, recuperação, saúde do planeta e toda vida que o habita.
Resgatar o natural é algo simples, mas que demanda alterações nas formas de pensar e interagir com o meio, isso significa adaptação ao novo, nesse caso sabemos que, em geral, mudar nos impulsiona sair de zonas confortáveis e conhecidas, nos lança em terrenos passíveis ao erro e frustrações, a cada momento os desafios podem exigir mais energia do que estamos disponíveis a depositar. Por isso, defendo que embasar o raciocínio e ter clareza sobre o ponto de partida e o norte de sua jornada, trará segurança a cada passo da transformação, não adianta muito espelhar-se superficialmente no estilo de vida de alguém sem compreender a realidade e o que motiva cada ação individual, para mudar e conectar com os ciclos, criando hábitos naturais, é preciso descobrir e aprofundar em verdade e motivos PRÓPRIOS para isso, podendo sim, ter outras pessoas como fonte de inspiração e apoio, mas nunca utilizando comparativos que tendem a ser parciais, já que não temos percepções realistas da mente e da vida de ninguém. Daí as redes sociais estarem passando por um processo forte de reorganização, os altos níveis de frustração por equiparação do real e virtual, estão levando milhões de pessoas a depressão, perda de poder pessoal ou a construção de rotinas completamente irreais que geram outros transtornos psicológicos, este é apenas um exemplo raso de várias desarmonias e questões que podem surgir com a distorção do que é orgânico, justamente por isso, acredito que alinhar ao máximo as possibilidades, mente e coração com esse modo cíclico e natural, nos leve por caminhos melhores.

A área que baseou meu processo de transição e autoconhecimento foi a alimentação, observar com criticidade a forma que eu nutria corpo, mente, espírito, diversas relações e meu trabalho, foi fundamental para compreender as raízes dos desequilíbrios e insatisfações, tudo o que era parte do contexto convencional me adoecia ou afastava da natureza em algum nível. Ao alterar minimamente minha rotina alimentar, percebi surgirem consciências muito contrárias ao que fui ensinada e influenciada desde que nasci, incluindo como compreendia os alimentos e sua disponibilidade, muitas vezes vivemos em um contexto tão condicionado que entendemos os absurdos oferecidos como aceitáveis.
Chega um momento em que não cabe mais a passividade de apoiar nossos hábitos na infância, os tempos mudam assim como o que é conhecido, faz parte do desenvolvimento da maturidade, buscar maneiras próprias de nutrir-se, pela evolução e por razões históricas básicas. Além da problemática do acesso à alimentação saudável e natural, temos também a manipulação de informações, nossos familiares foram influenciados por uma crescente da indústria alimentícia, que fazia (e ainda faz) promessas e ofertas alimentares pautadas em um marketing agressivo e proveniente da lógica capitalista. Baixo custo, alto lucro são as regras principais, podemos compreender que a ética se faz presente raras vezes nesse contexto, assim, percebemos a importância em pautas como: soberania alimentar, reforma agrária, maior supervisão estatal e popular sobre as empresas da indústria alimentícia e uma reformulação geral na maneira que nós enquanto consumidores interagimos com essas frentes.
Saindo de um prisma macro e encaminhando nossa conversa para algo mais palpável, observamos claramente que o modo de lidar com o consumo e poder de compra é uma das formas de alterar o cenário triste que nos encontramos, inicialmente compreendendo as dinâmicas de utilização de nossos investimentos, criando em cada lar um controle, que pode alterar inúmeras consciências individuais, e após isso, com uma boa difusão, toda a comunidade. Por ser meu primeiro passo em direção a uma transformação pessoal e profunda (e também quem sabe, por ser canceriana?), tenho a crença intrínseca de que a alimentação é a base que nos conecta à terra, compreender a relação entre o que ela nos provê e como nosso corpo reage a isso, visualizando sua ação direta em escolhas alinhadas com o desenvolvimento de hábitos saudáveis, pode ser uma abertura para um novo universo!
Respire profundamente, analise seu contexto, altere o que está ao seu alcance e faz sentido para sua forma de compreender o todo, são muitos os campos que precisamos observar, tatear e gerar mudanças que nos afinam a uma retomada naturista, sendo assim como me proponho na construção deste espaço de partilha, podemos criar os movimentos com leveza, apoio mútuo e generosidade, sem perder o passo, intenções e ações de vista! Vamos gradualmente e com firmeza!

Gratidão por chegar aqui.

Do meu útero-coração para você!

Namastê

Letícia Souto Naturoterapeuta.